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sexta-feira, 1 de abril de 2011

SEM TÍTULO

Um amigo aceita,
orienta, chama atenção,
convida, sai fora, comparece,
não tem hora para chegar,
muito menos para sair.

Amigo se vê quando pode
ou quando deve nem se vê,
vai junto, ajuda a voltar,
faz crescer, sem parar.

A gente assim é amigo,
para todas as horas,
para todos os fins comemorar,
o início e o meio até a noite acabar.

quinta-feira, 31 de março de 2011

CORALINA

é preciso adoçar a vida
um pouco a cada dia
com aromas e sabores
não aqueles dos pratos rápidos,
nem aqueles dos pratos prontos,
mas os servidos por uma profetiza
que cheira a açafrão, mel e tomilho.

basta uma cadeira macia,
uma boa companhia,
beatles tocando ao pé do ouvido,
taças à mesa com gosto
de lúpulo e café,
para que corado eu fique.


Conheça a Mercearia Coralina, encantador.


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quarta-feira, 23 de março de 2011

ACABA DE COMEÇAR

tudo de novo
na ponta do laço
na beira do abismo
ao fundo de um
mar de rosas

o fim que acontece
na trama que tece
no desenrolar
de um mundo de
novas considerações

mordo de novo
a maçã sem preço
a moeda sem valor
que acaba de cair
do meu bolso cheio


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quarta-feira, 16 de março de 2011

DESRITMO

Tanto tempo depois
de tanto tempo juntos
os dias ficam inseguros
quando contados
daqui pra frente

segundos e sem rumos
narrados com pouca
ou quase nenhuma
habilidade se quer

maneiras esquecidas
pelas horas da vida
de volta sozinhas
à volta consigo mesmas

achar de novo
um porque gostoso
pra encarar esses tolos
sábios retornos
à noite e à disritmia

se sem rumo tanto
tempo passado esteve
de volta ao prumo
com coragem pra
fazer diferente




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terça-feira, 15 de março de 2011

O DEFINITIVO

Definitivamente, nada é definitivo
e enquanto pensamos estar preparados
para o que der e vier, algumas das
notícias que chegam assustam e repelem,
como se não estivessem acontecendo,
ainda mais quando são aquilo que jamais
imaginamos que pudesse acontecer.

Então, se acabou, não necessariamente
terminou e, se terminou, há uma ponta
da chama que não deixa apagar o brilho
nos olhos de quem ainda ama, mesmo
que seja um outro jeito de amar,
de inverter a história e começar pelo
início, livre e sozinho outra vez.

Como assumir esse medo e mostrar
 esse desejo de liberdade e fingir que
 nada acontece, esse é o segredo,
pra deixar que a vida siga em que
alguma direção até que a gente pare
de sofrer, de remoer e talvez, quase como
se nada tivesse acontecido realmente.



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quinta-feira, 3 de março de 2011

EMBORA

Achei que eu fosse pedir uma pizza
pra comer com você, sentados assistindo tevê
com os dedos cheios de azeite e melando o
copo de coca-cola gelada, mas, quer saber?

Não me importo de parecer junkie,
de parecer descontrolado, afoito, aflito,
de comer bem, as vezes de comer mal,
nem um pouco eu me importo em sermos
nós dois estranhos como podemos ser.

Mas quando caio em mim, vejo que você
tem sempre algo mais importante pra fazer,
que fala menos comigo e que não está
aqui hoje, que não esteve junto comigo
ontem e que talvez não estará amanhã.

O que é foda é que eu não sei como
vou estar daqui cinco minutos e, também
nem quero saber, mas aonde você vai
estar em cinco anos é que me causa
calafrios e eu queria muito que estivesse bem.

Poxa vida! É esse laço maquiavélico
que me une a você? É esse perdão por
existir que me deixa na trincheira da nossa
própria guerra, armada pátria daqui de casa?
Porque se for, prometo que vou sair dessa emboscada.


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

É PRA DIZER SIM

Esses dias da nossa vida, anos inteiros,
são tão sem graça quando não experimentamos
e deixamos de lado certas pérolas de oportunidades,
escondidas em pessoas, em batidas, em sabores enfim.

Toda primeira vez que a gente diz não,
perde a segunda chance de sentir de novo,
de saber qual é a certeza da sua própria razão,
da escolha de responder um sim ou outra coisa então.

Na medida em que abrimos concessões,
essas brexas, leves, que permitem novas opiniões,
a gente acaba acreditando no potencial de ligação
entre qualquer coisa nesse universo,
nesses particulares momentos ao nosso redor.

Se ficar pra trás, minha chance completa
de experimentar de novo, qualquer coisa melhor
que a própria comparação óbvia de quem não provou,
prefiro saber do que na verdade estou falando e
só por isso gosto de dizer sim a quase tudo.



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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POSSÍVEL

é tão possível fazer qualquer coisa
nem que não sejam permitidos
os desejos mais reprimidos por ti
juro, é muito possível conseguir.

é tão verdadeiro é crescer
progredir um milhão de anos
e ver um dia inteiro nascer
juro, é muito verdadeiro viver.

é tão estranho decidir tudo para já
não ter certeza de nada segundos depois
quando neste exato momento parece tudo
juro, é muito estranho esse meu mundo.


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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PRONTO FALEI

se eu fizer um comentário
você promete não levar a sério
mesmo que seja algo que
não seja assim tão bacana
de dizer neste momento

claro que dá pra contornar
e selecionar umas palavras
mais ou menos legais e
não deixar passar da hora
pra te falar o que preciso

como sei que vai perturbar
acabo preferindo não dizer
mas é tão importante você
saber que do jeito que está
tem algo fora do lugar

então me diga que não vai
ficar chateado mais do que eu
e por favor maneire mais
nas próximas frases porque você
é uma metralhadora de grosseirias

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

EM OFERECIMENTO


Pensei em por anúncio num jornal,
oferecendo alguma coisa,
alias vendendo algo que ninguém
mais quer hoje em dia, mas acho
também que ninguém compraria, afinal,
quem é que lê classificado de jornal?

Enquanto rascunhava cerca de umas
quinze palavras, não encontrava melhores
adjetivos pra descrever aquilo e tal,
fiz de conta que era bom mesmo
o negócio, imperdível classificado matinal.

Me desfiz da ideia e rasguei umas três
folhas de papel, sem conseguir dizer
o que pretendia, resolvi ligar pra área
comercial e, foi quando uma tal de
Márcia me disse que minha ideia não
era anúncio de gente normal.

Não perdi tempo e verifiquei que o que
eu queria iria me custar uns quinhentos
e quase desistindo de anunciar
aquilo que ninguém iria comprar
decidi por fim, misturar palavras
fora do contexto e criei um pretexto
pra pedir sossêgo pra essa cidade infernal.



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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TEMPO À FORA


Descolei uma hora pra pensar no que faço
e descobri que tudo aonde tenho errado
me reduz o compasso e me aperta forte
como um cão sem porte latindo no portão

olhando pro lado e fitando o cansaço
sinto que nenhum motivo é de fato mutilado
apenas aguarda capenga uma boa iniciativa
de mim que planeja mais do que age

reconheço esse tempo parado
mas não admito um objetivo pulado
deixado pra trás pela impolidez do meu desejo
esses que me vêm e que vão a cada manhã


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