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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DE MÃOS DADAS

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Minha mãe tem mãos fofas e macias, um pouco grandes e calejadas ela diria, mas são como eu gosto, de longe, a incomparável lembrança do melhor carinho que eu poderia receber. As mãos do meu pai tremem, como os volantes de carros e caminhões que já o vi dirigir. Firmes e ainda que cansadas, meu pai tem mãos habilidosas, que pouco expuseram seus talentos artísticos, aplacados pela correria da vida.

Nos dedos da minha mãe sempre houveram um pouco de pó de giz da lousa da escola e um cheiro de alho que eu gosto, tudo meio misturado na hora do almoço. Meu pai também carrega um agradável cheiro de tempero, mas, houve um tempo em que suas unhas tinham finas camadas de fuligem e graxa, resquícios de dias puxados e pouco reconhecidos.

Minha mãe diz que ainda bebê, eu só dormia agarrado à sua mão. Acho que eu tinha medo de ficar sozinho, medo que me deixassem. Bobagem. Não tenho medo de viver, nem de morrer, sei que aqui ou em qualquer lugar as mãos deles sempre estarão me esperando, para um afago ou um rumo na vida.

É de certo modo, reconfortante ver materializado no calor de um abraço, os laços de uma família que de mãos dadas, está unida pro que der e vier.


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Um comentário:

Janete disse...

Com certeza meu filho. De mãos dadas venceremos as batalhas que a vida nos proporcuiona. É com as mãos que elevamos nossas orações para que a cada dia o Senhor possa nos mostrar o melhor caminho a seguir, as melhores ações para compartilhar. assim sendo vamos completando nossa missão aqui na Terra. Beijos com muito carinho. seus pais que te ama.