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Vou tentar entender minha própria reflexão, sobre um assunto que mal acompanho de perto, mas que vira e mexe palpito de longe. Se percorro ou não um caminho até o meu primeiro tapete vermelho, jamais saberei, tampouco se a corrupção do ego um dia me pegue de jeito, nem que seja por míseros 15 minutos.
Toda essa celebração em volta de uma única pessoa, ou de várias, em algum momento as incomoda de tal forma que os vestidos de grife ou os smokings impecáveis se pareçam com carapuças ao invés de um manto brilhante? Esse é um questionamento simples e prepotente de alguém que não sabe mesmo como é estar sob os holofótes, mas eu não poderia deixar de fazê-lo.
Me comprometo com a observação de que deve ser um saco posar para fotos e, no caso das mulheres, ter de falar o nome do seu estilista, como pagamento pelo vestido. Me arrisco a dizer que, olhando de fora, eu teria uma dificuldade enorme de viver uma imagem pop.
O que sinto é que, quando essa é a sua vida e não há outra pessoa que a viva por você, então não há cliques, flashes, perguntas invasivas que te façam deixar de acreditar no que você faz, mesmo que o que você faça seja apenas uma única canção de sucesso ou, um seriado de televisão e passe todos os episódios vestindo apenas sunga ou maiô. Essa é minha explicação. Ninguém vai salvar o mundo sendo diferente de como é. Confuso né? Vou tentar de novo outra hora.
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domingo, 29 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
SOBRE A SINCERIDADE
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O álcool entra e a verdade sai. Essa é uma afirmação quase universal que eu aprendi, digamos, provando. É com ela que começo a discorrer sobre a sinceridade, um pouco sobre a espontaneidade, porque afinal, alguns copos de cerveja bastam pra saber se uma pessoa é candidata a seu amigo pro resto da vida.
Penso no álcool como uma câmera fotográfica, despindo as pessoas lentamente, até que se soltem e soltos mostrem toda a sua verdade, ou o que mais se aproxime disso. Sei que é estranho e, mesmo parecendo uma afirmação idiota, tanto uma quanto a outra deixam expor aquela intenção desproposital, um gesto verdadeiro.
Tudo bem que a pose da foto, bela e bem arrumada, engana ou transmite um pudor a mais, mas, nem por isso, uma leitura mais apurada deixa escapar a humildade e a discreta sinceridade.
Vire um umas canecas de chope ou uns copos de tequila. Emende aquela conversa sobre o trabalho, sobre micos do dia-a-dia ou sobre algum tipo de escatologia. Os mais intimos falam sobre escatologia. Falam também sobre sexo, mas o que realmente interessa é que por mais escatológica ou indiscreta, a verdade de uma história sempre aparece, rodeada de gargalhadas imunes ao ostracismo da caretísse, do recatado medo da autenticidade.
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O álcool entra e a verdade sai. Essa é uma afirmação quase universal que eu aprendi, digamos, provando. É com ela que começo a discorrer sobre a sinceridade, um pouco sobre a espontaneidade, porque afinal, alguns copos de cerveja bastam pra saber se uma pessoa é candidata a seu amigo pro resto da vida.
Penso no álcool como uma câmera fotográfica, despindo as pessoas lentamente, até que se soltem e soltos mostrem toda a sua verdade, ou o que mais se aproxime disso. Sei que é estranho e, mesmo parecendo uma afirmação idiota, tanto uma quanto a outra deixam expor aquela intenção desproposital, um gesto verdadeiro.
Tudo bem que a pose da foto, bela e bem arrumada, engana ou transmite um pudor a mais, mas, nem por isso, uma leitura mais apurada deixa escapar a humildade e a discreta sinceridade.
Vire um umas canecas de chope ou uns copos de tequila. Emende aquela conversa sobre o trabalho, sobre micos do dia-a-dia ou sobre algum tipo de escatologia. Os mais intimos falam sobre escatologia. Falam também sobre sexo, mas o que realmente interessa é que por mais escatológica ou indiscreta, a verdade de uma história sempre aparece, rodeada de gargalhadas imunes ao ostracismo da caretísse, do recatado medo da autenticidade.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O DIA QUE NEVOU EM CURITIBA
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Disseram que nevaria na última semana. Logo de cara, pensei que seria bem legal, afinal, nunca ví nada assim. Há quantos anos não neva em Curitiba? Sinceramente, pra ver minhas roupas congeladas ou a água da torneira trincando, prefiro continuar ser conhecer este espetáculo.
Sabe de uma coisa, um espetáculo, qualquer que seja, deve levar a gente a uma reflexão, uma emoção além do entretenimento e, acho que ver nevar na capital, esquecendo que o frio mata, sem dúvida não é motivo de festa.
Eu não conseguiria imaginar a neve caindo enquanto estou na frente da televisão, de baixo do meu cobertor, tomando um 'chazinho', só pra assistir ao noticiário e acompanhar as últimas mortes por hipotermia.
Então, estou eu num local de todo costume e ouço:
- Ah, mas aí já é demais não querer que neve por causa disso, não vamos ser tão extremistas.
Ouvi essa pérola de humanidade e sucumbi. Só pra ter uma ideia, depois desse dia, rascunhei esse pensamento e levei quase duas semanas pra escrever esses parágrafos, porque eu precisava deixar claro um sentimento menos fundamentalista e tentar entender como alguém pode simplesmente dizer tal coisa. Não consegui. Apenas escrevo pra não guardar essa barbaridade só pra mim.
É de rachar o olho. Ainda sinto uma pontada de culpa por só estar com frio nos dedos. Mas se essa gente que separa a razão do coração fizer um limpa numas pecinhas quentes de roupa, com certeza um pedacinho do céu já ficava reservado. Certeza que ficava.
Pra terminar, fiz uma pesquisa na wikipedia e descobri que aqui não neva desde 1955 e de verdade, espero que continue assim pelo menos por enquanto, afinal, a única coisa que eu vi foi frieza, de pessoas congeladas por dentro, bem mais frias do que aqueles flocos que insistem em não cair.
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Disseram que nevaria na última semana. Logo de cara, pensei que seria bem legal, afinal, nunca ví nada assim. Há quantos anos não neva em Curitiba? Sinceramente, pra ver minhas roupas congeladas ou a água da torneira trincando, prefiro continuar ser conhecer este espetáculo.
Sabe de uma coisa, um espetáculo, qualquer que seja, deve levar a gente a uma reflexão, uma emoção além do entretenimento e, acho que ver nevar na capital, esquecendo que o frio mata, sem dúvida não é motivo de festa.
Eu não conseguiria imaginar a neve caindo enquanto estou na frente da televisão, de baixo do meu cobertor, tomando um 'chazinho', só pra assistir ao noticiário e acompanhar as últimas mortes por hipotermia.
Então, estou eu num local de todo costume e ouço:
- Ah, mas aí já é demais não querer que neve por causa disso, não vamos ser tão extremistas.
Ouvi essa pérola de humanidade e sucumbi. Só pra ter uma ideia, depois desse dia, rascunhei esse pensamento e levei quase duas semanas pra escrever esses parágrafos, porque eu precisava deixar claro um sentimento menos fundamentalista e tentar entender como alguém pode simplesmente dizer tal coisa. Não consegui. Apenas escrevo pra não guardar essa barbaridade só pra mim.
É de rachar o olho. Ainda sinto uma pontada de culpa por só estar com frio nos dedos. Mas se essa gente que separa a razão do coração fizer um limpa numas pecinhas quentes de roupa, com certeza um pedacinho do céu já ficava reservado. Certeza que ficava.
Pra terminar, fiz uma pesquisa na wikipedia e descobri que aqui não neva desde 1955 e de verdade, espero que continue assim pelo menos por enquanto, afinal, a única coisa que eu vi foi frieza, de pessoas congeladas por dentro, bem mais frias do que aqueles flocos que insistem em não cair.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
OFERTAS
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Com oitenta reais, gente como eu faz uma compra básica pra passar o final de semana. Você pensa no jantar do sábado, no almoço do domingo e nas besteiras que vai comer entre as refeições, que não tem hora certa para acontecer.
É possível ainda passar até uma hora dentro do supermercado e escolher os mais ou menos trinta itens que rabisquei numa listinha incomum. A moça do caixa recebe cada produto e levanta as sobrancelhas a cada dez reais que surgem na tela do monitor da caixa registradora. Eu também me assusto.
- É tudo pra hoje? Ela me pergunta inocente e despretenciosamente. Escapou!
- Ah, hoje não, acho que até segunda - Respondi.
Deixei o mercado a pé, com as baitas sacolas plásticas na mão, caminhando com meu tênis velho e moletom furado, enquanto pensava sozinho até me dar conta do quanto gastei.
Poxa vida, oitenta reais pra aquela moça do caixa deve fazer uma diferença enorme. Por mais que parte das minhas escolhas fossem ofertas, fico orgulhoso quando consigo fazer alguma economia e saio do mercado sem esbanjar tanto meu suado/rico/dinheirinho.
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Com oitenta reais, gente como eu faz uma compra básica pra passar o final de semana. Você pensa no jantar do sábado, no almoço do domingo e nas besteiras que vai comer entre as refeições, que não tem hora certa para acontecer.
É possível ainda passar até uma hora dentro do supermercado e escolher os mais ou menos trinta itens que rabisquei numa listinha incomum. A moça do caixa recebe cada produto e levanta as sobrancelhas a cada dez reais que surgem na tela do monitor da caixa registradora. Eu também me assusto.
- É tudo pra hoje? Ela me pergunta inocente e despretenciosamente. Escapou!
- Ah, hoje não, acho que até segunda - Respondi.
Deixei o mercado a pé, com as baitas sacolas plásticas na mão, caminhando com meu tênis velho e moletom furado, enquanto pensava sozinho até me dar conta do quanto gastei.
Poxa vida, oitenta reais pra aquela moça do caixa deve fazer uma diferença enorme. Por mais que parte das minhas escolhas fossem ofertas, fico orgulhoso quando consigo fazer alguma economia e saio do mercado sem esbanjar tanto meu suado/rico/dinheirinho.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
DO PONTO AO FINAL
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Esperar ônibus à noite, já passado às dez horas é muito tenso, principalmetne se você está longe de casa, em um bairro de periferia. A pior sensação é que você se sente um ridículo, tomado pela insegurança e ansiedade que exalam pela sua pele, num cheiro de medo estampado bem na testa.
Mais engraçado é que ali, onde pra quem mora no centro, protegido pelo pseudo-policiamento, está não a chance de mais um assalto, mas sim a incerteza de qualquer acontecimento neste aspecto. Engraçado mesmo porque, bandido que é bandido não faz sujeira na porta da própria casa. Não no seu bairro.
Então, parado, esperando o ônibus com meus amigos e mais alguns desconhecidos, surge um sujeito de calça larga, boné e barba mal-feita. Eu tremo. Tenho vergonha de lembrar que sou vítima de uma paranóia urbana que ganhei de presente após um assalto à mão armada numa "saidinha de banco".
- Cara, tem um real?
Não dei porque não tinha trocado, mas meu amigo me deu uma moeda que eu logo tratei de passar pra frente. Numa situação dessas, um ato de gentileza pode valer seu sossêgo.
Esse rapaz, talvez da minha idade ou um pouco menos, é um tipico estereótipo eloquente, são e lúcido, que ainda me perguntou as horas.
Pensei, murmurei, então, alguns quarteirões antes da minha casa, antes do meu ponto, ele se levanta e pede para o ônibus parar, num bairro até melhor que o meu.
O que eu faria se não achasse aquele um real eu não sei, muito menos se ele pediria para mais alguém. Só sei que uma moeda em dia de meia passagem não vale mais do que aquele "falou mano", antes de descer do ônibus, sereno e cordial, como um rapaz de 'boa família'.
Me pergunto se ele não é mais um desses que vão buscar um pedaço do seu vício em um lugar onde moram pessoas de bem como eu acho que sou, ao invés de bandidos como eu achei que ele fosse. Alias, bandidos também são vizinhos de gente boa em bairro bom. Essa paranóia precisa de um ponto final, um bom final pra todo mundo, e pra mim.
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Esperar ônibus à noite, já passado às dez horas é muito tenso, principalmetne se você está longe de casa, em um bairro de periferia. A pior sensação é que você se sente um ridículo, tomado pela insegurança e ansiedade que exalam pela sua pele, num cheiro de medo estampado bem na testa.
Mais engraçado é que ali, onde pra quem mora no centro, protegido pelo pseudo-policiamento, está não a chance de mais um assalto, mas sim a incerteza de qualquer acontecimento neste aspecto. Engraçado mesmo porque, bandido que é bandido não faz sujeira na porta da própria casa. Não no seu bairro.
Então, parado, esperando o ônibus com meus amigos e mais alguns desconhecidos, surge um sujeito de calça larga, boné e barba mal-feita. Eu tremo. Tenho vergonha de lembrar que sou vítima de uma paranóia urbana que ganhei de presente após um assalto à mão armada numa "saidinha de banco".
- Cara, tem um real?
Não dei porque não tinha trocado, mas meu amigo me deu uma moeda que eu logo tratei de passar pra frente. Numa situação dessas, um ato de gentileza pode valer seu sossêgo.
Esse rapaz, talvez da minha idade ou um pouco menos, é um tipico estereótipo eloquente, são e lúcido, que ainda me perguntou as horas.
Pensei, murmurei, então, alguns quarteirões antes da minha casa, antes do meu ponto, ele se levanta e pede para o ônibus parar, num bairro até melhor que o meu.
O que eu faria se não achasse aquele um real eu não sei, muito menos se ele pediria para mais alguém. Só sei que uma moeda em dia de meia passagem não vale mais do que aquele "falou mano", antes de descer do ônibus, sereno e cordial, como um rapaz de 'boa família'.
Me pergunto se ele não é mais um desses que vão buscar um pedaço do seu vício em um lugar onde moram pessoas de bem como eu acho que sou, ao invés de bandidos como eu achei que ele fosse. Alias, bandidos também são vizinhos de gente boa em bairro bom. Essa paranóia precisa de um ponto final, um bom final pra todo mundo, e pra mim.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
NEM AÍ
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Sinto muito te dizer isso, mas ninguém tá nem aí. Pode tripudiar, me chamar de negativo, de desumano ou falar que sou mais uma dessas pessoas que não botam fé no homem. O pior é que você sabe disso melhor do que eu e finge que não é com você.
Claro que esse é um pensamento isolado, mas o convívio coletivo tem ficado mais estranho com o passar do tempo, sem hora pra ser desleixado. Como não sou antropólogo e nunca me dei conta disso, fico pensando se a indiferença no comportamento seria mais um obstáculo pra ser enfrentado, do que um muro intransponível.
É uma carona que você podia ter oferecido 'até ali'. É um sal que você não estendeu pro cara do outro lado da mesa. É uma ída à padaria, seguida de um "pessoal, vou comprar pão, alguém quer alguma coisa?". É também um não deixar para depois e dizer agora, "sim, combinado, pode comprar mais que eu pago", ao invés de "poxa, você saiu e não combinou nada comigo". Ah, faça-me o favor, decida se você quer compartilhar ou dividir, se quer começar ou interromper, se precisa mesmo fingir que só existe você aqui.
Ninguém tá nem aí e eu tô cheio disso. Sinto que tem alguma coisa errada com os outros, mas sou eu quem fica esperando que as atitudes sejam diferentes. Daria pra listar várias em um único dia, mas nem vou perder tempo com isso.
Quando afirmo tal heresia, é porque achei que nunca diria isso, mas vou começar a tocar o foda-se e como não tô nem aí eu falo mesmo.
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Sinto muito te dizer isso, mas ninguém tá nem aí. Pode tripudiar, me chamar de negativo, de desumano ou falar que sou mais uma dessas pessoas que não botam fé no homem. O pior é que você sabe disso melhor do que eu e finge que não é com você.
Claro que esse é um pensamento isolado, mas o convívio coletivo tem ficado mais estranho com o passar do tempo, sem hora pra ser desleixado. Como não sou antropólogo e nunca me dei conta disso, fico pensando se a indiferença no comportamento seria mais um obstáculo pra ser enfrentado, do que um muro intransponível.
É uma carona que você podia ter oferecido 'até ali'. É um sal que você não estendeu pro cara do outro lado da mesa. É uma ída à padaria, seguida de um "pessoal, vou comprar pão, alguém quer alguma coisa?". É também um não deixar para depois e dizer agora, "sim, combinado, pode comprar mais que eu pago", ao invés de "poxa, você saiu e não combinou nada comigo". Ah, faça-me o favor, decida se você quer compartilhar ou dividir, se quer começar ou interromper, se precisa mesmo fingir que só existe você aqui.
Ninguém tá nem aí e eu tô cheio disso. Sinto que tem alguma coisa errada com os outros, mas sou eu quem fica esperando que as atitudes sejam diferentes. Daria pra listar várias em um único dia, mas nem vou perder tempo com isso.
Quando afirmo tal heresia, é porque achei que nunca diria isso, mas vou começar a tocar o foda-se e como não tô nem aí eu falo mesmo.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
DE MÃOS DADAS
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Minha mãe tem mãos fofas e macias, um pouco grandes e calejadas ela diria, mas são como eu gosto, de longe, a incomparável lembrança do melhor carinho que eu poderia receber. As mãos do meu pai tremem, como os volantes de carros e caminhões que já o vi dirigir. Firmes e ainda que cansadas, meu pai tem mãos habilidosas, que pouco expuseram seus talentos artísticos, aplacados pela correria da vida.
Nos dedos da minha mãe sempre houveram um pouco de pó de giz da lousa da escola e um cheiro de alho que eu gosto, tudo meio misturado na hora do almoço. Meu pai também carrega um agradável cheiro de tempero, mas, houve um tempo em que suas unhas tinham finas camadas de fuligem e graxa, resquícios de dias puxados e pouco reconhecidos.
Minha mãe diz que ainda bebê, eu só dormia agarrado à sua mão. Acho que eu tinha medo de ficar sozinho, medo que me deixassem. Bobagem. Não tenho medo de viver, nem de morrer, sei que aqui ou em qualquer lugar as mãos deles sempre estarão me esperando, para um afago ou um rumo na vida.
É de certo modo, reconfortante ver materializado no calor de um abraço, os laços de uma família que de mãos dadas, está unida pro que der e vier.
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Minha mãe tem mãos fofas e macias, um pouco grandes e calejadas ela diria, mas são como eu gosto, de longe, a incomparável lembrança do melhor carinho que eu poderia receber. As mãos do meu pai tremem, como os volantes de carros e caminhões que já o vi dirigir. Firmes e ainda que cansadas, meu pai tem mãos habilidosas, que pouco expuseram seus talentos artísticos, aplacados pela correria da vida.
Nos dedos da minha mãe sempre houveram um pouco de pó de giz da lousa da escola e um cheiro de alho que eu gosto, tudo meio misturado na hora do almoço. Meu pai também carrega um agradável cheiro de tempero, mas, houve um tempo em que suas unhas tinham finas camadas de fuligem e graxa, resquícios de dias puxados e pouco reconhecidos.
Minha mãe diz que ainda bebê, eu só dormia agarrado à sua mão. Acho que eu tinha medo de ficar sozinho, medo que me deixassem. Bobagem. Não tenho medo de viver, nem de morrer, sei que aqui ou em qualquer lugar as mãos deles sempre estarão me esperando, para um afago ou um rumo na vida.
É de certo modo, reconfortante ver materializado no calor de um abraço, os laços de uma família que de mãos dadas, está unida pro que der e vier.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
MINGUADO FINAL DE MÊS
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O chuveiro quebrou, o sabonete acabou e o frio está abaixo de 10. A água do prédio já era e na geladeira não tem nada pra comer. Dá pra imaginar o que um pouco de preguiça e só um pouco de dinheiro fazem com uma pessoa no final do mês? Aí, atropelando os dias, enquanto o salário não cai, fica um gosto amargo no fundo da boca, porque 'o rango' também não tá lá essas coisas. Amargo nó na garganta.
A grana deu esse mês? Olha que bom. O mercado foi farto, o shopping estava com ofertas imperdíveis? Pa-ra-béns! Aqueles enormes catálogos, folhetos de promoção estão lotados do que a gente não precisa, são vitrínes de papel.
Se te parece deprimente e chatinho esse pensamento, é porque você está esquecendo que o frio, que o inverno e que as condições são bem piores pra um monte de gente por aí na esquina, na rua de casa, no caminho pro trabalho ou no seu vizinho. Existe uma tendência pro "ema, ema, ema" que me dá nojo. Mas o que eu vou fazer com isso? O que vou fazer com os meus problemas?
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O chuveiro quebrou, o sabonete acabou e o frio está abaixo de 10. A água do prédio já era e na geladeira não tem nada pra comer. Dá pra imaginar o que um pouco de preguiça e só um pouco de dinheiro fazem com uma pessoa no final do mês? Aí, atropelando os dias, enquanto o salário não cai, fica um gosto amargo no fundo da boca, porque 'o rango' também não tá lá essas coisas. Amargo nó na garganta.
A grana deu esse mês? Olha que bom. O mercado foi farto, o shopping estava com ofertas imperdíveis? Pa-ra-béns! Aqueles enormes catálogos, folhetos de promoção estão lotados do que a gente não precisa, são vitrínes de papel.
Se te parece deprimente e chatinho esse pensamento, é porque você está esquecendo que o frio, que o inverno e que as condições são bem piores pra um monte de gente por aí na esquina, na rua de casa, no caminho pro trabalho ou no seu vizinho. Existe uma tendência pro "ema, ema, ema" que me dá nojo. Mas o que eu vou fazer com isso? O que vou fazer com os meus problemas?
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
AO VIVO
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Se eu estivesse lá, puxa, se eu estivesse lá. Talvez seja por isso que vídeos antigos, gravados ao vivo me inspirem tanto. Acho que a sensação é parecida pra quem gosta de vinil, ouvindo aquele ruído charmoso e chiado. Tudo o que é antigo tem um barulhinho gostoso, talvez porque fosse mesmo.
Quando eu falo antigo, falo do tempo que a palavra video lembrava cassete, da época em que se gravava em fita, até em película. Tá bem que película já é um pouco demais se você por acaso também nasceu por volta de 84.
Se eu te fizesse lembrar de um momento gravado e você me respondesse "sim, me lembro de um casamento", essa não seria a resposta que eu espero nem em pensamento, mas ao vivo, do jeito que é, não dá pra correr pra frente ou voltar pra trás. Ao vivo, gravado e antigo, fica um cheiro de saudade preservada, sonora e sensível.
Fico assim um nostalgico invertido quando vejo minha cantora favorita cantando em 1995 e eu nem estava lá. Me sinto assim quando revejo entrevistas, esses acervos de artistas que eu gosto, palavras que escapam, notas que se travam uma só vez. E mesmo que eu nem fizesse ideia de que aquele momento acontecia, hoje, dou o play e faço parte da platéia.
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Se eu estivesse lá, puxa, se eu estivesse lá. Talvez seja por isso que vídeos antigos, gravados ao vivo me inspirem tanto. Acho que a sensação é parecida pra quem gosta de vinil, ouvindo aquele ruído charmoso e chiado. Tudo o que é antigo tem um barulhinho gostoso, talvez porque fosse mesmo.
Quando eu falo antigo, falo do tempo que a palavra video lembrava cassete, da época em que se gravava em fita, até em película. Tá bem que película já é um pouco demais se você por acaso também nasceu por volta de 84.
Se eu te fizesse lembrar de um momento gravado e você me respondesse "sim, me lembro de um casamento", essa não seria a resposta que eu espero nem em pensamento, mas ao vivo, do jeito que é, não dá pra correr pra frente ou voltar pra trás. Ao vivo, gravado e antigo, fica um cheiro de saudade preservada, sonora e sensível.
Fico assim um nostalgico invertido quando vejo minha cantora favorita cantando em 1995 e eu nem estava lá. Me sinto assim quando revejo entrevistas, esses acervos de artistas que eu gosto, palavras que escapam, notas que se travam uma só vez. E mesmo que eu nem fizesse ideia de que aquele momento acontecia, hoje, dou o play e faço parte da platéia.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
COTIDIANO NO PÉ
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Meu cotidiano é fruta no pé. Tem dia que é jaca, gorda e estrebuchada caindo sobre a cabeça. Tem dia que é morango, apaixonado e doce como gostaria que todos fossem. Outros dias são limões azedos, que no máximo espremo pra ver o caldo que dá. Outros dias começam cedo, são mamão com açúcar, puro adoçar. Sabe de uma coisa, meus dias são uma salada de frutas caídas, nascidas e brotadas por aí. Bem comum.
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Meu cotidiano é fruta no pé. Tem dia que é jaca, gorda e estrebuchada caindo sobre a cabeça. Tem dia que é morango, apaixonado e doce como gostaria que todos fossem. Outros dias são limões azedos, que no máximo espremo pra ver o caldo que dá. Outros dias começam cedo, são mamão com açúcar, puro adoçar. Sabe de uma coisa, meus dias são uma salada de frutas caídas, nascidas e brotadas por aí. Bem comum.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
CROSS NO PRÊMIO LITERÁRIO CIDADE DE PORTO SEGURO DE CRÔNICAS 2009
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Hoje acordei e pensei: quero ter um dia bem bom.
Então, soube agorinha pouco que minha crônica "O Espetáculo" (já publicada nesse blog em duas partes: post 01 e post 02), foi uma das selecionadas pelo Projeto Vamos Ler o Mundo, pra integrar a antologia do Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro de Crônicas 2009, uma das 100 finalistas no universo de 1519 textos participantes.
Mas ainda falta eleger o vencedor, que será divulgado apenas no dia 2 de janeiro. O mais legal é com certeza marcar presença em mais um livro (Cross no VIVO E CONTO), recheado de novos talentos e aos poucos fazer com que mais e mais pessoas possam ler meus textos que, são também minha vida.
Vai dizer que não é uma boa notícia pra começar o dia?
Mais informações em breve!
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Hoje acordei e pensei: quero ter um dia bem bom.
Então, soube agorinha pouco que minha crônica "O Espetáculo" (já publicada nesse blog em duas partes: post 01 e post 02), foi uma das selecionadas pelo Projeto Vamos Ler o Mundo, pra integrar a antologia do Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro de Crônicas 2009, uma das 100 finalistas no universo de 1519 textos participantes.
Mas ainda falta eleger o vencedor, que será divulgado apenas no dia 2 de janeiro. O mais legal é com certeza marcar presença em mais um livro (Cross no VIVO E CONTO), recheado de novos talentos e aos poucos fazer com que mais e mais pessoas possam ler meus textos que, são também minha vida.
Vai dizer que não é uma boa notícia pra começar o dia?
Mais informações em breve!
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